Aprofir

*Hugo Garcia

Hugo Garcia, presidente da Aprofir-MT

Neste sábado, 15 de junho, se comemora o Dia Nacional da Agricultura Irrigada. Essa prática, apesar de ter ganhado expressão no Brasil a partir da década de 1970, é muito antiga e já era utilizada no Egito e Mesopotâmia como forma de enfrentar as secas. No Brasil, a irrigação teve início em 1900 com a produção de arroz no Rio Grande do Sul, e foi se expandindo até os patamares que vemos hoje.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil está entre os 10 países com a maior área equipada para irrigação do mundo, porém existe o potencial para estarmos entre as primeiras. E nesse cenário está Mato Grosso, potência do agronegócio que ainda engatinha quando se fala em irrigação, com pouco mais de 204 mil hectares utilizando esse tipo de técnica.

Os benefícios da irrigação são muitos: aumento da produtividade em até três vezes na comparação com a agricultura de sequeiro, utilização do solo para até três safras no ano, aumento da qualidade dos produtos agrícolas, produção de sementes e culturas nobres, modernização dos sistemas de produção e até a elevação da renda do produtor rural.

Mas, embora se conheça muitos benefícios dessa prática, ainda enfrentamos dificuldades para se atingir o potencial de irrigação no país. Apenas em Mato Grosso é possível se atingir as 4 milhões de hectares irrigadas até 2030. No entanto, para que consigamos chegar a esse patamar, são necessários investimentos e políticas públicas para o desenvolvimento da irrigação.

Isso porque não adianta querer comprar os equipamentos necessários e precisar ficar em uma fila de espera já que a demanda é maior do o que os fornecedores podem produzir. Não adianta conseguir comprar esses aparelhos se enfrentamos impasses para a liberação de outorgas de água, onde produtores esperam meses até mesmo para renovação das permissões, como acontece em Mato Grosso.

É preciso ter visão. Porque a agricultura irrigada é o futuro. A expansão das áreas irrigadas significa garantir a segurança alimentar e aumentar a produtividade agrícola. É promover práticas para que as lavouras resistam às mudanças climáticas, garantindo uma produção agrícola constante e ainda de forma sustentável.

Porque a irrigação é sustentável e garante a preservação do meio ambiente. Para se ter uma ideia, pela legislação brasileira só é permitido retirar 5% das águas de um rio ou das que estão abaixo do solo. E depois, diferente do que acontece em outros setores da economia, essa água vai voltar para o solo, aumentando a fertilidade e promovendo o retorno aos mananciais subterrâneos.

Por todos esses motivos, já passou da hora de se pensar na irrigação como a solução para a nossa agricultura. Não só para enfrentar as adversidades climáticas, mas também para garantir que possamos continuar aumentando a nossa produtividade. Pois estudos já mostram que em até 20 anos a segunda safra pode ser comprometida pela falta de chuvas no país. Por isso precisamos pensar na irrigação como mais que uma solução imediata, mas recurso para o futuro do agronegócio.

*Hugo Garcia é produtor rural e presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT).

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